sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Negligência

Engraçado como é a vida. No momento não tenho dedicado tempo nenhum à escrita literária e, no entanto, tenho tido ótimas idéias com grande freqüência. E quanto a tese, falta relativamente pouco, mas também falta vontade de escrever além de um certo grau de inspiração.

Desde uma reimaginação de um velho desenho animado que nunca fez sucesso (Skeleton Warriors) até uma idéia para uma série de contos interligados por uma idéia e um local centrais; muita coisa tem passado pela minha cabeça. Mas eu não tenho tido vontade de escrever.

Em parte, é por isso a negligência. Eu sei que não tem ninguém que venha aqui habitualmente, afinal, o blog teria que ter atualizações mais freqüentes e mais interessantes para atrair leitores habituais. Mas àqueles que dedicam um tempinho para ler algo por aqui, seja uma só vez, sejam várias, peço paciência.

Um dia o filho pródigo à casa retorna.

Até lá, boas leituras a todos vocês.

sábado, 22 de agosto de 2009

Idéias Idéias Idéias

Após ver um trailer The Surrogates esta semana, procurei me informar um pouco sobre os quadrinhos que deram origem a este filme. A estória trata de um mundo onde as pessoas ficam em casa conectadas a um duplo de si cybernético que vive suas vidas por elas.

Enfim, de alguma forma isto me deu a idéia de uma sociedade futurista onde todas as pessoas ou são completamente robóticas ou bio mecânicas, cujas partes biológicas dificilmente são de origem humana pura, sendo geralmente frutos de engenharia genética avançada. Neste mundo, um cientista robótico e seu amigo biomecânico discutem alguns aspectos de suas vidas, religiões e sociedade ao mesmo tempo em que o cientista planeja construir uma nave, uma Arca, onde planeja colocar espécimes humanos puros por alguma razão. Se ele conseguir encontrá-los, isto é.

Quando eu conseguir escrever isto... eu aviso. ;)

Até a próxima!

sábado, 15 de agosto de 2009

Martelo das Eras

Prefácio:

Antes de mais nada, semana passada a conexão estava impraticável nos dias de costume então abstive-me de postar. Como ainda não escrevi nada, apesar de cheio de idéias, hoje deixo vocês com um pequeno soneto que escrevi há alguns anos.

No mais, se conseguir terminar a tese a tempo, pretendo entrar neste concurso:
http://www.rpgonline.com.br/noticias.asp?id=1751
E espero sinceramente ter meu conto publicado!
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Doze almas para forjá-lo,
Doze dúzias para sagrá-lo
Com sangue banhá-lo
E poderoso torná-lo!

Só os puros podem erguê-lo,
Só os bravos podem empunhá-lo
Com a garra do Mestre
E a graça do Rei!

Pois eis a Tempestade!
Lavando almas por ele,
Sangrando eras por ele!

Pois eis que a Tempestade
Finda a todos por ele
Através dele, impetuosa!
"O Martelo das Eras"

sábado, 1 de agosto de 2009

Sina

Esta tem sido minha sina neste fim de mestrado. Uma tese cuja escrita não rende e uma grande quantidade de idéias para textos e contos fervilhando em minha mente. Acabo não fazendo uma coisa nem outra.

Não estou feliz com isso, mas acredito que em breve vou conseguir dar um gás e um conseqüente fim na tese. Depois da defesa (e da correção da tese) vai ser só alegria nessa área miserável da minha vida.

Ah... não houve postagem semana passada porque eu não pude postar nada na sexta nem sábado, então resolvi deixar passar. Mas enfim, não é como se eu tivesse algo pronto para postar de toda forma.

Até a próxima!

sábado, 18 de julho de 2009

Conto em produção

Olá,

Passei por aqui nesta semana para dizer que estou produzindo um conto, embora não saiba quando ele ficará pronto. Não deve passar de algumas páginas e definitivamente será de ficção científica, embora eu busque um ar mais medieval.

A inspiração veio de folhear umas edições (além de ler a respeito na Wikipedia) da série A Casta dos Metabarões. Obviamente não será algo tão complexo e na verdade quero deixar bem distante deles. E pensando bem, A Casta dos Metabarões é inspirado num universo literário que gosto bastante: Duna.

Bom, é isso que tenho para dizer. Volto semana que vem com mais idéias e talvez algum texto.

sábado, 11 de julho de 2009

Lá e De Volta Outra Vez

Olá,

Estou de volta após uma semana de hiato. Ele não foi por acaso. Estive em Belo Horizonte para ver a minha família, tendo viajado exatamente na sexta e estando longe de um PC próprio no sábado. Por isso decidi não postar nada e aguardar novo fim de semana.

É claro que eu adoraria ter algo para postar aqui hoje em termos de conto ou narrativa, mas a verdade é que usei meu tempo livre para investir numa idéia de romance que tenho.

Esta idéia é aproximadamente uma estória cyberpunk, embora eu esteja abdicando de algumas convenções do gênero em favor de idéias próprias. Gosto particularmente da perspectiva de que a sociedade caminha para o melhor, ainda que as pessoas que a compõem caminhem em qualquer direção, muitas vezes para o pior mesmo. Desta forma temos ao invés do conceito "High-tech, low life" tradicional do gênero, um conceito "High-tech, high-society, low life" ou quase isso.

A estória em si, gira em torno de dois personagens principais e aproximadamente oito personagens secundários de importância variável para trama. A minha expectativa é conseguir um bom desenvolvimento dos personagens mesmo que tenham participações pequenas e tentar fugir um pouco de estereótipos, embora talvez um ou outro personagem acabe por ter essa característica.

Inspirações? Ah, diversas. Há um pouquinho da Trilogia do Sprawl de Willian Gibson (da qual Neuromancer faz parte), um pouquinho do filme Route 60 (conhecido no Brasil como Viagem sem Destino) e até um pouquinho do Romance dos Três Reinos (vou deixar a cargo do leitor procurar a respeito na Wikipedia). Quando tudo estiver pronto e eu conseguir publicar, quem puder ler me aponta as outras referências que me passarem desapercebidas. :P

A idéia original nasceu de um conceito de conto que acabou expandido demais e, para ser bem franco, agora já existem pelo menos três conceitos de contos que devem expandir um pouco a estória e o mundo ao redor dela.

"Legal, cara. Agora porque você não pára de falar e fazer anotações toscas e as escreve logo?"

Porque ainda estou amarrado na Tese de Mestrado. E não se fala mais nisso. ¬¬

Bom, é isso. Até semana que vem!

sábado, 27 de junho de 2009

This is getting old, Murphy

Outra semana, outra postagem só para dizer que não tenho o que postar. Sem desculpas desta vez, eu apenas não tive inspiração para sentar e escrever. De toda forma, até uma próxima vez.

sábado, 20 de junho de 2009

Ainda mais desculpas

Nesta semana eu qualifiquei minha tese. Significa que eu apresentei meu trabalho a uma banca de professores e obtive críticas e orientações sobre como conduzir o trabalho a partir dali.

Estou, apesar disso, ainda lutando com a necessidade de retomar o ritmo de escrita e trabalho na tese, que dissolveu-se uma vez mais após a qualificação.

É, não estou feliz. Mas espero voltar ao batente o quanto antes.

No âmbito literário, novas idéias surgem em minha cabeça a todo momento sobre um certo romance que quero escrever. Depois da tese, claro.

E quanto ao pequeno pedaço de narrativa que já estou devendo há umas semanas, na próxima vez eu espero tê-lo pronto.

Até a próxima!

sábado, 13 de junho de 2009

Desculpa Esfarrapada

Hoje, por uma questão de dia dos namorados aliada ao problema da tese de mestrado, não tenho nada para postar.

Sorry! Até o próximo e, se Deus quiser, mais produtivo fim de semana!

sábado, 6 de junho de 2009

Noite

Prefácio:
Hoje, para variar, além do atraso, tenho um pequeno exercício em narrativa novinho em folha para partilhar com vocês.

A interpretação dos detalhes é de vocês e espero que apreciem-no tanto quanto eu. Boa leitura e até a próxima!
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Noite

Abriu a porta com dificuldade. Cambaleou para dentro tropeçando no casaco, agora encharcado em sangue por todo o lado esquerdo. Jogou o braço direto com força para trás, batendo a porta num ruído doloroso para seus ouvidos.


Precisava sentar ou deitar com urgência, mas tentava em vão forçar os sentidos falhos a assimilar o ambiente onde agora estava. O apartamento era amplo, a decoração remontando à alguma época décadas antes. Talvez séculos. Não podia saber com certeza. A iluminação era, ou pelo menos lhe pareceu desgostosamente escura e sem graça.


Riu-se, sentindo uma pontada forte no ombro esquerdo que o fez praguejar logo em seguida. Estava ali, sangrando em bicas, contando as horas até que apagasse pela última vez, e tudo o que conseguia pensar era em como o quarto lhe desagradava.


Sentiu o braço esquerdo pesar muito e largou a arma, um revólver calibre 38 clássico sobre uma mesinha de tampo de vidro no centro da sala, entre quatro poltronas de couro de alguma coisa que não conseguia se lembrar.


Poltronas. Pensou em desabar ali mesmo, mas seus olhos captaram de relance a entrada para um quarto. Decidiu que se ia morrer, que fosse com conforto.


Cada passo parecia-lhe um conflito indigesto. Desvestiu o casaco com dificuldade tentando aliviar o peso, mas lembrou-se do pacote no bolso da frente. Não o deixaria jogado pela casa e precisou arrastar o casaco consigo, tornando-o um estorvo pior.


Com custo, pôs-se diante da grande cama de casal, de lençóis caros e rubros. “Menos mal” – pensou. – “Assim as manchas de sangue não o estragam tanto”. Desmontou-se sobre ela, deixando o casaco cair no chão ao pé da cama. Praguejou. Não tinha mais forças para levantar-se e alcançá-lo.


Sua visão estava turva, tornando-se mais disforme e escura a cada instante. Os membros estavam dormentes e ele os remexia agonizantemente como se aquilo fosse mantê-lo vivo por mais um pouco. Talvez o suficiente para se arrepender e lastimar as más escolhas. Um gosto forte de queijo branco tomou sua boca, resquício de uma refeição de pelo menos meio dia antes.


“Não tenho arrependimentos.” – constatou, tentando esboçar um sorriso. Bateu a mão em algo em cima do criado mudo à sua direita, derrubando e ligando o que percebeu ser um rádio-relógio. Um reggae chato inundou o ambiente, deixando-o absolutamente fulo consigo mesmo.


Riu-se, a pontada no ombro ainda lá. Ia morrer ouvindo a coisa que mais abominava no mundo. Medíocre, pensou. Absolutamente medíocre. Pensou no pacote uma vez mais, tentando reconhecer algum valor naquilo que obtivera. Nada mais lhe veio a mente sobre o assunto e era bem verdade que já não tinha mais clareza o bastante para concluir qualquer coisa.


“Que morte estúpida” – balbuciou para si mesmo. E apagou.


Despertou bruscamente, como se tivesse um pesadelo. Não conseguiu pensar no que era. Os raios solares fortes pela janela feriam-lhe a vista. Sentiu-se disposto, embora não tão certo de que poderia se levantar. Tentou mesmo assim e notou que estava sem camisa e com o torço enfaixado. Estranhou aquilo e por um momento vistoriou instintivamente o ambiente, procurando pistas do que pudesse ter acontecido. Um casaco similar ao seu repousava sobre uma poltrona no canto do quarto, mas estava limpo, impecável. Todo o quarto estava.


Estremeceu. Uma maleta prateada repousava sobre o local onde havia deixado sua arma na noite anterior. Andou até lá, surpreso com a facilidade. Abriu-a, notando uma grande quantia em notas de 100 dólares, além de um bilhete.


“Já tenho o pacote. Tomei a liberdade de gastar parte do seu pagamento para pagar o médico, achei que o faria de todo jeito. O casaco novo é presente. Beijos.”


Uma marca de batom levemente borrada assinava a nota. Sorriu com grande prazer. “Every little thing is gonna be alright...” – a música soou em sua mente de repente. Fechou a cara, um súbito mal humor, e achou que precisava sair logo dali. Vestiu-se, o novo casaco serviu perfeitamente, pegou a maleta e pôs-se dali para fora.


Precisava encontrar um bar de blues logo, mas onde encontraria um aberto àquela hora da manhã?